Nova formação e inserção no mercado de mecânica de bikes: como a bicicleta é um meio de inclusão social

A bicicleta tem um poder enorme de inclusão social. Por meio dela é possível transformar a vida, tanto pessoal quanto profissional. Estes, inclusive, são alguns dos objetivos da parceria entre Escola Park Tool e Instituto Aromeiazero no projeto Viver de Bike, que coloca jovens no mercado de trabalho e possibilita uma formação em mecânica de bicicletas.

“Este programa de estágio e a parceria com o Instituto Aromeiazero nasceram porque vem aumentando muito a demanda de lojas e oficinas por bons profissionais em mecânica. Muitas delas entravam em contato conosco e falavam desta necessidade. A ideia da Escola é, portanto, colaborar com a transformação de vida das pessoas e ajudá-las a ter um trabalho e uma formação, abrindo as portas do mercado”, comenta Henrique Zompero, fundador e diretor de ensino da Escola Park Tool.

A dinâmica funciona da seguinte forma: os alunos se inscrevem no curso Viver de Bike, do Aromeiazero e, ao se formarem, passam por uma seleção antes de continuarem a formação na Escola Park Tool.

A seleção dos participantes é realizada a partir da análise econômica e social. Jovens de baixa renda, pessoas desempregadas e mulheres com afinidade ao mundo das bicicletas e vontade de empreender têm prioridade.

“Metade das nossas turmas é formada por mulheres, contrariando o senso comum de que esse tipo de atividade profissional é restrita ao universo masculino”, comenta Murilo Casagrande, diretor do Aromeiazero.

“Acredito muito nesta parceria pois ela impacta diretamente a vida de muitas pessoas. A bicicleta é capaz de melhorar a vida de uma pessoa de forma integral, e quem participa do projeto se beneficia de algo que vai além do conhecimento sobre mecânica de bicicleta: muda a visão de organização e alguns, inclusive, saem decididos a montar o próprio negócio”, completou Murilo.

Clique aqui e conheça um pouco mais do trabalho da Escola Park Tool

A transformação nas palavras de quem foi beneficiada

Mariana Gomes trabalhava em uma bicicletaria em 2017, onde fazia locação das bicicletas do Aromeiazero. Por querer evoluir no ramo de bikes e aumentar seu conhecimento técnico, ela se inscreveu no curso Viver de Bike e, posteriormente, foi selecionada para continuar a formação e estagiar na Escola Park Tool.

“Foi uma experiência incrível, surpreendente ver como a bicicleta evoluiu, suas técnicas e tecnologias são fascinantes. O aprendizado da Escola enfatizou a importância de atualização e inovação constante, com o mercado em alta e as oportunidades também, é bem abrangente e exigente nos requisitos”, explicou a mecânica profissional e, hoje, coordenadora de projetos do Aromeiazero.

Hoje ela compartilha com outras pessoas do Viver de Bike a experiência que teve na Escola Park Tool: “como monitora tenho outra visão sobre o projeto, inovando a cada turma, expandindo e difundindo o conhecimento da bicicleta em diversos cenários de projetos que participo. Na bicicletaria já tenho mais atividades práticas de manutenção de bicicletas e vendas”.

Já Viola Sellerino conheceu o curso Viver de Bike através de amigo mecânico. Ela já se interessava de mecânica, há anos frequentava uma oficina comunitária, e dava oficina de mecânica básica.

“Tive uma experiência muito positiva na Escola. Me trouxe muito mais confiança. Além de confirmar muito do conhecimento que tinha, também aprendi muitas coisas que estava precisando para trabalhar”, comentou.

Ela destaca o poder do projeto, de aproximar as pessoas do mundo da mecânica e, mais importante, ao mundo do empreendedorismo social. Entender a bicicleta como meio para poder empreender, para começar projetos que criem mudanças.

“É importante para o futuro de cada aluno que busca uma formação, mas também para formar olhares diferentes sobre a economia e a cidade. A bicicleta se revela um meio de transformação social porque ela muda a cidade, na sua estrutura física, cria uma economia de fácil gestão, gera renda e protagoniza o indivíduo”, explicou Viola.

“Hoje trabalho com o Aromeiazero, ajudando a montar oficinas comunitárias e cursos de mecânica básica. Trabalho também como mecânica autônoma, mas o meu interesse principal é dar oficina e criar ações que aproximem sempre mais pessoas à bicicleta”, finalizou.

Com a missão de promover a inclusão social por meio de uma visão integral da bicicleta, também como ferramenta de mudança no modo de vida, o projeto apresenta números que comprovam seu impacto social:

– em 2018, o Viver de Bike formou 57 pessoas, dessas 31 são mulheres;

– 2150 pessoas pedalaram com o Aromeiazero (dessas, 2050 eram crianças e 240 aprenderam a pedalar sem apoio, no Rodinha Zero);

– 135 jovens e adultos aprenderam mais sobre mecânica de bicicleta nas oficinas (incluindo o Viver de Bike com 57 pessoas);

– 264 bicicletas foram consertadas (nas mecânicas comunitárias e cursos oferecidos) e voltaram para as ruas.

Para entender mais o projeto e saber como se inscrever e participar do projeto Viver de Bike, acesse o site do Instituto Aromeiazero.

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